O mercado imobiliário brasileiro pode estar prestes a entrar em um dos ciclos de crescimento mais relevantes das últimas décadas. Durante um evento realizado em São Paulo, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, anunciou que o governo federal trabalha em um programa estruturado para elevar a participação do crédito imobiliário no PIB — hoje em torno de 10% — para algo entre 15% e 20% nos próximos dez anos.
A meta é ousada e coloca o país mais próximo de economias que tradicionalmente utilizam o mercado de crédito como motor de crescimento, como Estados Unidos, Canadá e alguns países europeus. Para especialistas, isso sinaliza uma fase de maior previsibilidade, expansão do crédito, novas oportunidades de aquisição e, principalmente, fortalecimento do setor da construção civil.
Uma nova fase para o financiamento habitacional
Segundo Mello, o governo pretende modernizar o ecossistema de crédito imobiliário, o que inclui:
- Revisão das regras de funding para ampliar fontes de recursos disponíveis
- Atualização do Sistema de Financiamento Habitacional (SFH)
- Estímulo à securitização de créditos para atrair investidores institucionais
- Medidas de segurança financeira para tornar o ambiente mais estável
A proposta busca criar um cenário em que os bancos tenham mais liquidez, permitindo oferecer juros mais competitivos, prazos maiores e condições mais acessíveis para as famílias brasileiras.
Por que aumentar o crédito imobiliário é tão importante?
Atualmente, o crédito para habitação no Brasil ainda é pequeno se comparado ao tamanho da economia. Em países desenvolvidos, essa relação tende a ultrapassar 50% do PIB, o que indica:
- maior disponibilidade de financiamento
- maior mobilidade imobiliária
- mais facilidade para comprar e vender imóveis
- maior liquidez do mercado
Com mais crédito, o setor imobiliário tende a se movimentar em toda a cadeia: construtoras ampliam lançamentos, investidores aumentam participação e compradores encontram mais opções dentro do orçamento.
Impacto direto sobre lançamentos e valorização
O anúncio do governo gera expectativa positiva entre construtoras, incorporadoras, loteadoras e investidores. Com acesso ampliado ao crédito:
- Lançamentos devem acelerar, especialmente nas grandes capitais
- Imóveis de médio padrão ganham força, impulsionados pela classe média
- Mercados regionais podem viver um novo ciclo de valorização
- Investimento institucional tende a se expandir para o residencial
Na prática, mais pessoas poderão financiar imóveis com condições mais favoráveis, reduzindo o esforço de renda e ampliando o público consumidor.
Efeitos esperados na Bahia e região metropolitana de Salvador
A Bahia, que já vive uma fase aquecida no setor — com Salvador registrando o maior volume de vendas dos últimos 14 anos — deve sentir fortemente os efeitos positivos desse movimento.
Entre os impactos esperados:
1. Aumento de lançamentos em Salvador, Lauro de Freitas e Camaçari
Regiões com alto potencial de expansão urbana e infraestrutura crescente tendem a atrair novos projetos residenciais.
2. Fortalecimento do mercado de imóveis compactos
Modelos como studios e unidades de curta duração (“SPOTs”) se beneficiam do crédito mais acessível, ampliando o público investidor.
3. Valorização de áreas emergentes
Bairros como Paralela, Imbuí, Pituaçu, Stella Maris e regiões próximas às estações do metrô podem registrar apreciável valorização.
4. Maior acesso da população local ao financiamento
Com juros potencialmente menores, mais famílias da Bahia poderão conquistar o primeiro imóvel, especialmente dentro de programas federais.
O setor reage com otimismo moderado
Embora o plano traga expectativas, especialistas alertam que sua execução dependerá de:
- estabilidade econômica
- capacidade fiscal do governo
- resposta dos bancos
- regulamentação adequada
No entanto, a sinalização pública de uma meta ambiciosa já coloca o setor em rota de crescimento e reforça a importância do mercado imobiliário no desenvolvimento econômico nacional.
Conclusão
O anúncio do governo sobre a expansão do crédito imobiliário representa um marco importante para o setor e pode redefinir o comportamento do mercado pelos próximos anos. Se as medidas forem implementadas de forma consistente, o Brasil pode se aproximar de patamares internacionais e criar um ambiente mais robusto para compradores, investidores e empresas.
Para regiões dinâmicas como Salvador e sua área metropolitana, a tendência é de oportunidades ainda mais intensas — tanto em valorização quanto em investimento.





